Documento institucional · v1.0

Diretrizes de uso responsável
de Inteligência Artificial

Orientações práticas para professores, gestão, estudantes e famílias da Escola Estadual Guilhermino de Oliveira — com atenção especial à proteção de dados de crianças e adolescentes, nos termos da LGPD e do ECA.

Documento vivo, sujeito a revisão periódica pela comissão escolar.
Apresentação

Por que este documento existe

A IA generativa já está no cotidiano da escola — em corretores de texto, tradutores, plataformas de estudo e aplicativos usados por estudantes e famílias. Este guia orienta, de forma clara e formativa (não punitiva), o uso ético e seguro dessas ferramentas.

A diferença central em relação a um documento universitário: aqui, quase todos os dados envolvidos são de crianças e adolescentes, o que exige leitura à luz da proteção integral do ECA e das regras específicas da LGPD para menores de idade.

Base legal
LGPD · Lei 13.709/2018, art. 14 ECA · Lei 8.069/1990 CF/88 · art. 227 LDB · Lei 9.394/1996 & BNCC Marco Civil da Internet Lei de Direitos Autorais · 9.610/1998 Referenciais do MEC para IA na Educação PPP e Regimento da Escola
Fundamentos

Cinco princípios do uso responsável

Valem para toda a comunidade escolar, da gestão à sala de aula.

1

Centralidade na pessoa em formação

A tecnologia serve à aprendizagem e ao bem-estar — nunca o contrário. Respeita a autonomia progressiva conforme a idade, sempre com supervisão de um adulto responsável.

2

Transparência

Todo uso de IA em sala de aula, avaliações ou gestão deve ser explicitado a estudantes, famílias e à comunidade escolar.

3

Privacidade e proteção de dados

Dados de estudantes exigem cuidado reforçado (LGPD, art. 14). É o princípio mais sensível deste documento — detalhado a seguir.

4

Responsabilidade e autoria humana

A IA auxilia, mas nunca substitui o julgamento do professor, a decisão da gestão ou o esforço de aprendizagem do estudante.

5

Justiça e equidade de acesso

Atenção a vieses discriminatórios e à desigualdade de acesso a dispositivos e ferramentas fora da escola.

Seção de maior cuidado

Proteção de dados de crianças e adolescentes

A escola lida, em sua quase totalidade, com dados de menores de 18 anos. A regra geral é a máxima cautela.

O que diz a LGPD, art. 14

Tratamento de dados de crianças (até 12 anos incompletos) exige consentimento específico e em destaque de pelo menos um dos pais ou responsável legal.
Dados de adolescentes (12 a 18 anos) também têm proteção reforçada, considerando o melhor interesse e a capacidade de compreender os riscos envolvidos.
Informações sobre o tratamento de dados devem ser fornecidas de forma simples, clara e acessível à idade do titular.

Na prática, na escola

  • Não inserir dados identificáveis de estudantes (nome, foto, voz, endereço, dados de saúde ou família) em ferramentas de IA sem orientação da gestão.
  • Preferir dados fictícios ao demonstrar ferramentas de IA em sala de aula.
  • Imagens e vozes de estudantes nunca sem autorização expressa das famílias — e nunca de forma que exponha ou constranja.
  • Trabalhos e produções de estudantes não devem ser submetidos, na íntegra, a ferramentas de IA comerciais.
  • Boletins, laudos e relatórios pedagógicos jamais em ferramentas de IA de uso geral.
  • Sistemas institucionais de IA precisam ter a política de privacidade avaliada pela gestão antes da adoção.
Regra prática para toda a escola Na dúvida se um dado pode entrar em uma ferramenta de IA, a resposta padrão é não. Consulte a coordenação pedagógica antes.
Orientações específicas

Diretrizes por público

Escolha a aba correspondente ao seu papel na comunidade escolar.

Direção e Coordenação Pedagógica

  • Formalizar quais ferramentas de IA são permitidas institucionalmente.
  • Nenhuma decisão sobre estudantes ou servidores (aprovação, advertência, avaliação funcional) pode ser tomada apenas por IA, sem supervisão humana.
  • Verificar adequação à LGPD antes de adotar qualquer sistema de IA na gestão.
  • Promover formação continuada sobre uso ético e seguro da IA.
  • Não usar detecção automática de plágio como critério exclusivo de punição.
  • Manter registro simples de quais sistemas de IA a escola utiliza.
Sala de aula

Uso de IA em avaliações

  • Avaliações com produção fora da escola devem ser complementadas por etapas presenciais (rascunhos, apresentações orais).
  • Estudantes podem analisar criticamente respostas de IA — transformando-a em objeto de estudo, não só em ferramenta de resposta.
  • Não se recomenda terceirizar a elaboração de provas ou a correção final a sistemas de IA.
  • Detecção automática de plágio/IA não deve ser base única para punição, dada a alta taxa de erro.
Perguntas frequentes

Dúvidas comuns

Um estudante pode usar ChatGPT ou outra IA para fazer a lição de casa?

Depende do que o professor autorizou. Sem orientação clara, pergunte antes. Em regra, a IA pode apoiar (ex.: revisar ortografia), mas não substitui aprender e produzir o próprio texto.

Posso inserir foto ou nome de um aluno em uma ferramenta de IA?

Não, sem autorização expressa da família e orientação da gestão. Dados de crianças e adolescentes exigem proteção reforçada pela LGPD.

A escola pode usar IA para ajudar a corrigir provas?

A IA pode auxiliar tarefas técnicas, mas a correção e a decisão de nota final devem sempre passar por avaliação humana do professor.

Posso usar IA para detectar se um aluno colou ou plagiou?

Não é recomendado como critério único — essas ferramentas ainda cometem muitos erros. Qualquer suspeita deve ser analisada por um profissional humano.

Menores de idade podem criar contas próprias em ferramentas de IA?

A maioria exige idade mínima (em geral 13 anos ou mais) e recomenda-se supervisão de um adulto, especialmente quanto ao compartilhamento de dados.

Quem é responsável se a IA gerar uma informação errada?

A responsabilidade é sempre humana — de quem usou e apresentou a informação. Todo resultado de IA deve ser conferido antes de ser usado.

Para consulta

Glossário rápido

Inteligência Artificial (IA)
Sistemas que, a partir de dados e algoritmos, geram respostas, classificações ou decisões automatizadas.
IA Generativa (IAG)
Produz textos, imagens, áudios ou vídeos a partir de padrões aprendidos (ex.: chatbots).
Alucinação
Quando a IA apresenta, de forma convincente, informações falsas ou inventadas.
Viés (bias)
Tendência de um sistema favorecer ou prejudicar certos grupos, herdada dos dados de treino.
Dado de criança/adolescente
Informação de menor de 18 anos identificável — sujeita a proteção reforçada (LGPD, art. 14).
Supervisão humana
Modelo em que a IA só apoia; a decisão final é sempre de uma pessoa responsável.
Governança

Um documento vivo

Estas diretrizes serão revisadas ao menos uma vez por ano letivo. Dúvidas, sugestões e relatos de uso inadequado de IA podem ser encaminhados à coordenação pedagógica ou à direção.

A tecnologia deve estar sempre a serviço da proteção integral, do desenvolvimento saudável e da formação crítica das crianças e adolescentes da nossa escola.

Direção da Escola Estadual Guilhermino de Oliveira Comissão de Uso Responsável de Tecnologias · v1.0